segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Comerciais de TV, carros e consumismo

Eu iria continuar meus argumentos sobre política, mas algo me fez adiar isto para outra ocasião.

Estava eu assistindo TV quando me deparei com um comercial de automóvel, mais especificamente da FIAT sobre o Uno. Tudo ia dentro das normalidades mercantes de sempre: mostrava-se o carro em desempenho, todo limpinho, mostrava as funções, tudo isto com uma voz firme e suave ao fundo que faz tudo parecer mágico e épico. Mas foi o final do comercial que me chamou a atenção, é desferida as seguintes frases: "Novo Uno. Novo Tudo."




Isto me deixou extremamente incrédulo.
Como pode um simples automóvel ser TUDO ?


Mais tarde, no mesmo dia, estou a assistir ao famoso tubo proferidor de imagens quando me deparo com outro comercial de outro carro que eu não sei qual é.
A síntese do anúncio era a seguinte: uma mulher chega e presenteia o marido com o carro anunciado. Enquanto ele e seus filhos apreciam a máquina muito contentes.


(Gostaria de comentar outra coisa antes de continuar. Chega a ser pífio mas ao mesmo tempo eficaz os artifícios usados nos comerciais de televisão. Neste citado acima, a mulher é bonita, o homem e as crianças são bonitos e bem arrumados, a casa é, eu diria que luxuosa, estão sempre sorrindo, nenhum tem dentes tortos, todos tem cabelo liso, e todos são brancos (ou por acaso você já viu comercial de carro com negro ? Ou melhor, você já viu algum comerial de multinacional com negros ?
As casas são no modelo norte-americano com aquelas cerquinhas de madeira.
Como no Brasil você vai ter casa de luxo com carro do ano e cerquinha de madeira ???
Seria interessante olhar em um comercial pais e crianças negras, em uma casa humilde e com muros de caco de vidro no topo. Será que venderia menos ?
Provavelmente...
Isto mostra várias coisas, como estereótipo de beleza atual, um certo racismo enraizado e despercebido e a forma com que eles, desfarçadamente, fazem com que você pense que comprando aquele determinado produto sua vida será daquela maneira. Chega a parecer piada, mas dá muito certo.)


Voltando ao comercial, enquanto o pai e os filhos olham o carro, o vizinho sai para o quintal juntamente com sua esposa e, por cima da cerquinha de madeira pintadinha de um perfeiro e reluzente branco gelo, observam o quintal com o carro ao lado.
Demonstrando muita frustração, o cara entra dizendo: "Peraí, eu preciso ficar sozinho".


Resumindo: ele ficou frustrado por não ter um carro como o do vizinho.


Fiquei pasmo ao assistir à cena. Simplismente RIDÍCULO !


Que as pessoas ficam tristes em não ter condições de comprar o que querem, isto já sabemos, mas a mídia explorar disto é de extrema covardia. 

O capitalismo cria o consumidor compulsivo, que acaba se tornando doente, explora-o para vender mais usando este em seus anúncios de venda e ainda ri deles, pois o comercial era de uma atmosfera humorística.


Este retrato é algo que vem crescedo como uma onda, se propagando e se multiplicando como moscas em cadáveres: o consumismo compulsivo.
As pessoas estão deixando de apreciar as pequenas coisas da vida para comprar, estão trocando a natureza por máquinas, estão vivendo em função do ter, como se isto fosse o sentido da existência, e não é !

A vida é muito mais que demonstrar pra si e aos outros poder aquisitivo, é pensar, é sentir as emoções que nos foram concedidas como dádiva divina. É apreciar em uma formiga, em um raio de sol o que de mais belo existe no planeta. É olhar as estrelas e pensar na constituição colossal do universo.
É observar a vida na chuva que cai, nas plantas que crescem, nas flores que enfeitam, nos frutos que alimentam e nas folhas que caem no outono e tornam a surgir na primavera.


Ou seja, é tomar postura no universo como ser humano, e não virar um escravo do capital, perdendo sua sensibilidade perante o mundo.


Pense antes de consumir, avalie se é realmente necessário e procure passar mais tempo com o mundo real que olhando vitrines de lojas.
Priorize o ser ao ter, viva e liberte-se destas algemas que encarceram, cegam e tornam fúteis a fantástica existência.

Um comentário:

  1. Noussa pior q é verdade a mídia tem uma influência incalculável na vida das pessoas, e o pior é q o mundo já se acomodou e tudo parece normal...precisamos abrir nossos olhos para essa questão...gostei muito da análise que vc fez!

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